Corrupção: o pior crime que se pode cometer

Um fato que comumente passa despercebido aos olhos de uma população como a do Brasil é a magnitude da corrupção.

Por Christian Gurtner 04/10/2017 - 16:52 hs
Corrupção: o pior crime que se pode cometer
Corrupção: o pior crime que se pode cometer
Assim como a violência é vergonhosamente banalizada nesse país, a corrupção também o é. E o motivo é simples: a ignorância e o condicionamento da maioria do povo, o faz pensar que essas características são normais.

A maioria da população não vota hoje olhando para o nível da corrupção, da violência ou da economia, pois isso, para elas, já se tornou algo incrustado em nossa cultura e elas não entendem nada disso, principalmente de fatores menos palpáveis como a economia. Normalmente se vota pelo que se pode tocar: bolsa-família, estradas decentes, atendimento médico, empregos etc. E assim o governo para continuar no poder deve optar por fazer ações populistas em que o povo vê o dinheiro, o emprego e a saúde ou ações sólidas e fortes para o crescimento do país que, se tratadas com seriedade, em curto, médio e longo prazo terão um retorno muito mais vantajoso. Porém, essa segunda opção é inicialmente invisível. E como o povo não compreende esse sistema, acaba por eleger o governo populista, palpável, porém, fraco. E com um povo ignorante que vota somente no palpável sendo maioria num país, a democracia não existe. Ela deixa de funcionar e atrofia nas mãos daqueles que usam exatamente essa ignorância para controlar uma nação.

Essa também é a razão pelo descaso com a educação: investir pesado em educação é algo que só dará retorno para o país a partir de 10 anos após o investimento, quando as crianças que foram extremamente bem educadas nas escolas públicas, entrarão para o mercado, para a política e para o debate cívico.

E que governo quer arriscar uma reeleição ou projeto de poder com uma ação dessas, que só gerará resultado nas mãos de outro governante? Que governo quer educar decentemente as crianças de hoje para que elas se tornem, futuramente, imunes ao populismo?

Essa sede de poder que é maior que a sede por melhorar definitivamente o país, acaba gerando o círculo vicioso em que se encontra o Brasil. E com sua eterna ignorância o povo não entende que a raiz de todos os males se encontra ali: no meio político e no meio policial, mas invisíveis.

Muitos dizem que o primeiro passo para melhorar o Brasil é a educação. Porém, devemos entender que esse é o segundo passo, pois para ele ser executado, é preciso antes de tudo acabar com a corrupção.

É, sim, necessário haver dois pesos e duas medidas quanto falamos de corrupção. Um policial que rouba ou assassina, deve ter penas muito piores do que um cidadão comum, pois o policial conta com um aparato por trás dele e sua função é justamente proteger a sociedade de ladrões e assassinos. Corrupção policial devia ser considerado crime hediondo. Pois a partir do momento em que a sociedade não confia ou tem medo de sua própria polícia, todo sistema desmorona, abrindo assim as portas para outros criminosos surgirem a cada dia.

E acima dos policiais estão os políticos corruptos. Estes, sim, a causa de todos os males — até mesmo da corrupção policial. Um político corrupto deveria ser tratado como traidor da nação. Quando um corrupto desvia dinheiro público, muitos entendem somente como um roubo qualquer, porém não enxergam que aquele desvio matou, indiretamente, milhares de pessoas que não contaram com a segurança pública; matou outros milhares nas filas dos hospitais; perpetuou toda uma geração de crianças à pobreza por falta de estudos e oportunidades, destruiu famílias vítimas de estradas ruins, falta de fiscalização e aplicação de penas.

Um político corrupto é, ao mesmo tempo, um genocida, um estuprador, um ladrão e um corruptor de menores.

Dessa forma fica mais claro entender que a corrupção deveria ser o crime capital. O pior delito que qualquer pessoa poderia cometer, com penas que deixariam até Hitler de boca aberta, afinal, todos os males de uma nação têm a raiz na corrupção, de uma forma ou de outra.

Mas hoje é exatamente o oposto: eles contam com foro especial, penas mínimas e muita burocracia para até, raramente, serem presos.

Já foi dito, certa vez, que o absurdamente alto salário e benefícios dos políticos, juízes e demais servidores é alto justamente para evitar a corrupção. Deveria ser o oposto: boa parte dos políticos tinham que estar ali por vocação, ou seja, ganhando um salário mínimo e podendo ter outra profissão como carreira. Assim acabariam os políticos carreiristas, que entram para a política como forma de subir na vida — e vocês veriam, da noite para o dia, as coisas começarem a andar e o número de candidatos cair para números mínimos.

Enquanto houver a banalização da corrupção haverá também, em números exorbitantes, todos os demais males.