Opção ou orientação?

Um dos assuntos muito discutidos e preferidos por muitos desde antenados nas redes sociais

Por Leonardo Ferrari 02/02/2018 - 20:05 hs
Opção ou orientação?
Opção ou orientação?

Vivemos em tempos de instabilidades sociais, onde cada vez mais se tem acesso a informação, onde é comum e acessível a maioria o acesso à internet, onde as opiniões sobre absolutamente tudo são cada vez mais expostas. E o brasileiro cada vez mais faz questão de se adequar a alguma forma de pensamento, de opinar, de se agrupar. A tendência que tem sido verificada é de um país cada vez mais polarizado.

 

Mas, todo excesso de informação e de opiniões deixa a mostra um imenso buraco problemático, a superficialidade. Debates do dia a dia pela internet se mostram cada vez mais rasos, baseados em senso comum, pautados em frases prontas e em clichês. Quando não, as discussões perdem as estribeiras e partem para os insultos, a agressividade, e amizades são desfeitas.

 

O interessante e fundamental é que as opiniões de cada um passam então a definir a politização do indivíduo. Isso é bom por um lado, pois os brasileiros passam a se interessar mais por política e a tentar compreendê-la melhor. Entretanto é ruim quando o aspecto privado passa a invadir a esfera pública, e políticos que representam uma parcela da população passam a legislar contrariamente a outra parcela da população, dificultando, muitas vezes, lutas históricas por conquistas de igualdades e direitos de grupos historicamente oprimidos.

 

Um dos assuntos muito discutidos e preferidos por muitos desde antenados nas redes sociais, prontos a opinar, é a sexualidade, em especial a sexualidade alheia. Tal assunto sempre divide opiniões, gera debates, e com eles, equívocos.

 

E são muitos os equívocos, onde numa ponta extrema de tais, temos a figura de um agressor que bate e que espanca, que mata o seu semelhante apenas por tal não ter uma orientação sexual semelhante à sua, apenas pelo o indivíduo agredido não estar dentro daquilo que é considerado ainda por uma parcela da população como normativo. Outros equívocos ainda estão no âmbito das ideias, das discussões e terminologias.

 

Um grande equívoco cometido é utilizar o termo “opção sexual” ao se referir a sexualidade de um indivíduo homossexual. Muitas das pesquisas acadêmicas já concluíram que: Um indivíduo não tem tanto poder assim de definir a sua sexualidade, de modo a opinar e/ou preferir sobre ela. Assim, a sexualidade vai orientar o comportamento e desenvolvimento do ser humano, sem que este opine, escolha, determine.


Assim, o termo mais apropriado e correto ao se referir à sexualidade humana é a “orientação sexual”, que pode variar da heterossexualidade, passando pela bissexualidade, à homossexualidade.       

 

Leonardo Ferrari Silva, historiador formado pela Faculdade Barretos