Os corruptos de estimação e os eleitores de opinião coletiva dividida

O eleitor continua a se posicionar contra ele mesmo, adotando não o melhor, mas o que ‘rouba menos’.

Por João Cerino 28/06/2018 - 20:15 hs
Os corruptos de estimação e os eleitores de opinião coletiva dividida
João Cerino é Jornalista

O Brasil está andando como campeonato de futebol. Há corruptos por todos os lados, que vêm, prometem, fazem um grande barulho e nada mais. O eleitor continua a se posicionar contra ele mesmo, adotando não o melhor, mas o que ‘rouba menos’. Só que toda a movimentação que tem sido vista de parte de alguns setores sociais parece estar dando um jeito nas coisas. Tudo começa a caminhar. Apenas não se sabe ainda para onde se vai.


Tem sido publicadas milhares de análises, há algumas charges, muitas pessoas divulgam vídeos com bons argumentos, outros mostram análises boas da situação e propõem solução. Mas tem aí o lado que parece ter adotado seu corrupto de estimação e o defende mesmo diante de argumentos incontestáveis.


Aí numa destas discussões de Facebook, me deparei com coxinhas e petralhas se digladiando e me pergunto: para quê? Tem corrupto de ambos os lados. Todos, praticamente, são envolvidos com algum caso de corrupção. Não importa o tamanho da corrupção, pois corrupto que fura fila e o que desvia milhões em dinheiro público são corruptos da mesma forma. A discussão é inútil, mas eles não percebem. Continuam recitando as suas cartilhas. Sim, se você viu uma conversa dessa, pode acreditar que os argumentos de um lado quanto do outro parecem ser como uma reza, tudo igual, decorado, inclusive com os mesmos erros de ortografia que passam quando a pessoa só usa o copiar/colar.


Aí vem os argumentos decorados ou por assim dizer, copiados/colados, pois começam apontando razões impecáveis, sem erros de português. Vê-se até argumentos jurídicos a nível dos graduados do STF nos posts. Mas as respostas são de pessoas que nem possuem o primeiro grau. Isso não é preconceito, pois há pessoas analfabetas que possuem mais sabedoria que doutores, que é adquirida na vida. Mais do que alguns doutores e letrados.


O problema, que salta na vista, para não dizer que salta à vista, é a repetição pura e simples de coisas que já foram publicadas antes, sem ao menos mudar as vírgulas. Isso é o copiar/colar. A pessoa não tem opinião, ela tem uma cartilha. Não há argumentos novos e, por isso, não há resultado nestas discussões.


Se a filosofia de uns não muda, a dos outros também não. Somente criam-se ‘mitos’ não se sabe de onde, processos nem julgados são comentados, tudo serve para atulhar a discussão, que sempre vai terminar pelo cansaço e nunca por alguma das partes concordar. Isso sem citar as fake-news. Algumas são de dar risada por uma semana. Será que o trouxa que escreveu acha que 100% dos trouxas vão acreditar?


Dá trabalho raciocinar, mas se a pessoa pensar um pouquinho, é possível chegar a algum lugar diferente do lugar comum. Por isso, seria bom pensar e não dividir o país entre torcedores de um lado ou outro, que adotam o seu corrupto de estimação após fazer uma análise sem critério e bem apressada, escolhendo assim que encontrar uma justificativa já usada que o satisfaça. Algo em torno de três minutos.


Algumas vezes, eles se cansam de escolher entre A ou B e começam os ataques contra os outros. E aí vem o show de besteiras, palavras chulas e falta de educação que contraria muito a opinião copiada/colada. E agora?


Mas, ao se pensar um pouco, deixe os que adotaram seu corrupto de estimação trocarem ideias (ou insultos). É bom que isso aconteça, pois quando dois lados bobos brigam, chega um lado mais esperto e leva o troféu. É como afirmou Lulu Santos em uma música composta a décadas. “Assim caminha a humanidade / com passos de formiga e sem vontade.”